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Quem foi    ALBERTOOOOOOOOOOOOOOOOO ?

Alberto Caeiro é o mestre de todos os heterônimos de Fernando Pessoa e até mesmo do próprio autor. Foi um poeta bucólico, ligado à natureza, que viveu a maior parte de sua vida no campo, para ser poeta e nada mais.
Como todos os outros heterônimos de Fernando Pessoa, Alberto Caeiro possui data de nascimento, profissão, formação e uma história.

Vamos conhecer um pouco mais sobre Alberto Caeiro:

No trecho de uma carta que Fernando Pessoa dirigiu a Adolfo Casais Monteiro, em 1931, o autor relata o seguinte sobre Caeiro:
“Alberto Caeiro nasceu em 1889 e morreu em 1915; nasceu em Lisboa mas viveu quase toda a sua vida no campo. Não teve profissão nem educação quase alguma. […] Caeiro era de estatura média, e, embora realmente frágil (morreu tuberculoso), não parecia tão frágil como era.” (AYALA, 1985, p. 11)
Caeiro passou quase todos os anos de sua curta vida no Ribatejo, na quinta de propriedade de uma tia velha, onde pastorava ovelhas e procurava, diariamente, exercitar o que ele mesmo chamou de a “perversa ciência de ver”.
É o mestre de todos os heterônimos, inclusive do próprio Pessoa, pois divulga a essência do Sensacionismo, em que o sentir é colocado acima do pensar e a sensação é a essência. Caeiro é um homem de formação rudimentar que abandonou tudo para viver no campo como um simples poeta e nada mais. É o mais objetivo de todos e almejava registrar as sensações, sem a mediação do pensamento. É pagão e anti-espiritualista.
Caeiro, segundo Moisés (2006, p. 334), é o poeta que foge para o campo, pois, sendo poeta e nada mais, poeta por natureza, deve procurar viver simplesmente como as flores, os regatos, as fontes, os prados, etc., que são felizes apenas porque, faltando-lhes a capacidade de pensar, não sabem que o são. E por isso ensinam a ver:

“O essencial é saber ver.
Saber ver sem estar a pensar.
Saber ver quando se vê.
E nem pensar quando se vê,
Nem ver quando se pensa”

Em seus poemas, Caeiro se utiliza de uma linguagem simples e objetiva, os versos são livres e brancos, sem rimas, como uma poesia em prosa. Além disso, o poeta faz uso constante de termos da natureza, podendo ser caracterizado como um poeta bucólico.

O Guardador de Rebanhos

O mais famoso poema de Alberto Caeiro é O Guardador de Rebanhos. Vejamos, a seguir, alguns trechos desse poema:

I
Eu nunca guardei rebanhos,
Mas é como se os guardasse.
Minha alma é como um pastor,
Conhece o vento e o sol
E anda pela mão das Estações
A seguir e a olhar.
Toda a paz da Natureza sem gente
Vem sentar-se a meu lado.
Mas eu fico triste como um pôr de sol
Para a nossa imaginação,
Quando esfria no fundo da planície
E se sente a noite entrada
Como uma borboleta pela janela.

IX

Sou um guardador de rebanhos.
O rebanho é os meus pensamentos
E os meus pensamentos são todos sensações.
Penso com os olhos e com os ouvidos
E com as mãos e os pés
E com o nariz e a boca.

Pensar uma flor é vê-la e cheirá-la
E comer um fruto é saber-lhe o sentido.

Por isso quando num dia de calor
Me sinto triste de gozá-lo tanto,
E me deito ao comprido na erva,
E fecho os olhos quentes,
Sinto todo o meu corpo deitado na realidade,
Sei a verdade e sou feliz.

 
Nos trechos acima, podemos observar claramente a linguagem simples e direta de Alberto Caeiro, com a naturalidade de um discurso oral, em que é acentuada a importância dos sentidos (“Penso com os olhos e com os ouvidos/E com as mãos e os pés/E com o nariz e a boca”). Os versos são livres e brancos, não há rimas e o poeta faz uso de vários termos relacionados à natureza, tais como “vento”, “sol”, “pôr de sol”, “flor”, entre outros.

BIBLIOGRAFIA

1) AYALA, W. Antologia poética de Fernando Pessoa. Rio de Janeiro: Ediouro, 1985.

2) MOISÉS, M. A Literatura Portuguesa. São Paulo: Cultrix, 2006.

3) http://www.revista.agulha.nom.br/sego01.html

4) http://pt.wikipedia.org/wiki/Alberto_Caeiro